segunda-feira, 16 de abril de 2012

Tu és o Deus que me vê

Já passei por muitos momentos em que impulsivamente me dirigi a Deus em oração, mas no meio das palavras, meu coração se pesou e quase vi minhas palavras baterem numa parede invisível e caírem por terra. 

Isso acontece geralmente depois de ter passado muito tempo sem ter falado com Dele, sem ter lido direito Sua Palavra, e mais ainda quando acabei de pecar.
Há várias coisas que me passam pela cabeça nessas horas: “Será que Ele está sequer prestando atenção em mim?” “Será que Ele consegue me ouvir?” “Será que Ele está de mal comigo?” “Será que Ele está me punindo por eu ter pecado?” “Será que eu preciso fazer algo para reconquistar Sua atenção?” “Será que eu não sou boa ainda o suficiente para falar com Ele?” “Será que estou orando de forma errada?” “Será que…”
A verdade é que geralmente não pensamos isto; nós sentimos. Nosso coração se angustia. Sentimos uma solidão incomparável, abandonados, culpados, infortunados, isolados e incapazes.
Não acho que seja incomum essa experiência… por isso, não quero entrar em detalhes sobre o que acontece, por que acontece. O que preciso dizer e afirmar agora é a Verdade que existe, que creio de todo coração que existe, apesar da escuridão parecer ter tomado conta da nossa vida nesses momentos.
Eu li esses dias um trecho a história de Hagar e acho que é um dos nomes de Deus mais lindos e mais confortantes que a Bíblia nos mostra. A história é conhecida, mas resumo ela aqui: Para tentar cumprir por si mesma a promessa de Deus, Sarai pediu para que seu marido, Abrão, engravidasse a sua serva, Hagar, já que Sarai mesma não podia ter filhos. Hagar engravidou e começar a desprezar sua patroa. Sarai, enfurecida, começar a maltratar Hagar e Hagar fugiu para o deserto onde Deus lhe encontrou. Lá, Ele afirmou que a ouviu no seu sofrimento, lhe prometeu grande descendência, ordenou que voltasse e se sujeitasse à Sarai. Então, Hagar diz a Deus: “Tu és o Deus que me vê.” (Gênesis 16.13)
Hagar havia pecado; havia desprezado a patroa, sido arrogante, e os maus tratos da Sarai para com ela – apesar de serem errados da parte da Sarai – foram uma consequência dos atos da Hagar. Hagar estava sofrendo justamente. Contanto, não suportou e fugiu para o deserto. E lá, Deus foi de encontro com ela.
Nós pecamos. Sofremos as consequências, sejam elas consequências graves no decorrer da nossa vida ou a culpa insuportável que deveria atingir o cristão verdadeiro ao pecar. Fugimos, tentamos consertar as coisas, desesperamo-nos. Mas Deus nos ouve no nosso sofrimento. Ele vem ao nosso encontro no nosso deserto. Ele é o Deus que nos vê. Ele é o Deus que te vê, nos mais distantes locais, na mais profunda solidão.
Sua presença independe do nosso merecimento. Jesus morreu na cruz para nos unir novamente com Deus. Nossos pecados já foram pagos pelo sangue precioso de Jesus. Já não há mais condenação para os que estão em Cristo. Deus não tem prazer em nos ignorar, mas deseja que O busquemos de todo coração. “…um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Salmo 51.17)
Ele está lá e está bem presente. Não se deixe enganar pela sensação de que Ele não te ouve, que Ele não está lá. Não dependa do sentir, apenas confie, tenha fé, acredite no que está escrito na Sua Palavra. Ele nos afirma, pela Bíblia, que Ele existe, está presente, te vê, te ouve, te conhece, te ama, convida, chama, perdoa, aceita, purifica, santifica, guia, ensina, edifica, sustenta, conforta e consola. Que é fiel e mantém Suas promessas, apesar da gente quebrar constantemente as nossas.
Mas Deus também nos ordena a fazer nossa parte. Assim como Ele mandou Hagar voltar à Sarai e se sujeitar, Ele nos ordena a consertar aquilo que erramos. Sempre há um jeito. E Ele estará lá para nos apoiar e guiar. Mas lembre-se de que Ele ouviu e falou com Hagar mesmo antes dela consertar o seu erro. Ele não é um Deus carrasco, mas está presente para nos perdoar e nos ajudar a colocar as coisas em ordem novamente.
Lembre-se das palavras de Hagar: “Tu és o Deus que me vê.” Ela, pecadora e pequena, desprezada e aflita, fugida, abandonada e sem esperanças… no deserto foi encontrada por Deus e Ele, que a conhecia mais do que ninguém, conversou com ela e esteve presente.
Escrevo isso porque eu preciso me lembrar constantemente disso e porque sei que há outras pessoas passando pela mesma coisa. Aquiete o seu coração e saiba que Ele é Deus. Lembre-se de quem Ele é, das Suas promessas, do Seu poder e amor, e que Ele te vê e te ouve.


Drika Lopes

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