terça-feira, 11 de outubro de 2011

O discurso do Rei

Segue, abaixo, o texto que seria publicado na nossa revista Metanoia, mas que, infelizmente, ainda não vingou.

No último dia 27/02/2011, na 83ª edição do Oscar, a Academia premiou com quatro estatuetas o filme “O Discurso do Rei”.  Dirigido por Tom Hooper, o drama trata da história de Albert George (Colin Firth), Duque de York, filho do Rei da Inglaterra. Albert tinha um sério problema com gagueira. A sua deficiência tomava proporções ainda maiores ante a possibilidade de Albert ocupar, no futuro, a Coroa Inglesa. O rei não é uma figura meramente decorativa na estrutura de poder de uma nação. O rei é o líder, quem diz os rumos que um povo irá seguir. O povo deposita nele a sua confiança, a sua esperança. Daí a necessidade de que o monarca seja alguém que inspire segurança. Imagine, então, o povo inglês, quando Hitler declarou guerra ao Reino Unido, ouvindo o discurso do seu rei gago! Essa era a preocupação de Albert. O que tirava o seu sono. Confesso que a minha expectativa em relação ao filme era bem maior, no entanto, consegui extrair dele algumas aplicações interessantes para a vida do cristão.  

As Escrituras, freqüentemente, tratam do relacionamento entre Deus e a Igreja como a relação de um Rei com os seus súditos. Em Colossenses 1.13, Paulo diz que o Pai nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho de Seu amor. Na primeira carta a Timóteo, Paulo se refere ao Senhor como Rei eterno, imortal e invisível (1.17) e Rei dos reis e Senhor dos senhores (6.15). Na visão de João, em Apocalipse, Jesus é descrito como um cavaleiro que tem escrito no seu manto e sua coxa a seguinte frase: Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Da mesma maneira que a Inglaterra, em 1939, declarou guerra à Alemanha, a Igreja também se encontra em conflito. Mas a nossa luta não é contra os Alemães, contra tanques de guerra ou fuzis. O nosso inimigo é bem pior do que o temido Hitler. A nossa batalha é contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais (Ef 6.12). Ao contrário do que muitos pensam, o nosso inimigo não está preocupado com a marca da roupa que vestimos, com o refrigerante que bebemos ou com as mensagens subliminares dos desenhos animados. A batalha espiritual em que estamos envolvidos é pela nossa mente. Na luta por nossa mente, Satanás usa armas poderosas como heresias e falsos ensinos que chegam às nossas mentes através do cinema, da televisão, da internet, das músicas, dos outdoors etc.

Os cristãos, por sua vez, contra-atacam às investidas do inferno ouvindo atentamente o discurso do Rei, que fala através de sua Palavra. O autor de Hebreus, no início do capítulo 1, diz que Deus, no passado, falou muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, mas hoje, fala-nos através de seu Filho (Hb 1.1-2). Paulo, em sua carta ao seu discípulo amado Timóteo, diz que a Escritura é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça, a fim de que homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (II Tm 3.16-17). É através do estudo dedicado das Escrituras e ouvindo a pregação da Palavra de Deus que o crente revida ao ataque do Diabo.

O Cristão sofre derrotas quando deixa de ouvir o discurso do Rei. As crises de nossa vida espiritual sempre estão relacionadas com o nosso distanciamento da Palavra de Deus. Alguém já disse que “ou esse Livro afastará você do pecado, ou o pecado distanciará você desse Livro”. É na Bíblia que eu aprendo os valores e princípios que devem orientar a minha vida. Esses princípios e valores ajudam-me a defender-me dos “mísseis” que vêm do inferno. Eles auxiliam-me a filtrar as falsas doutrinas e filosofias erradas que se aproximam de minha mente. Calvino dizia que a Bíblia deveria ser os óculos do Cristão. Elas são uma espécie de antivírus. Se o meu antivírus não estiver atualizado e ativado, os cavalos de tróia e worms desse mundo irão instalar-se no meu hard-disk e prejuízo será grande. Mas, não basta conhecer a Palavra, é preciso praticá-la. Conhecer a Bíblia e não praticá-la é como comprar um computador de última geração baixar os melhores programas da atualidade e não executá-los. Muito potencial, mas nenhuma utilidade.

A Igreja Brasileira é conhecida por sua vulnerabilidade a seitas e heresias. Os movimentos sopram como ventos e os crentes ficam como barquinhos à deriva, indo de um lado e para o outro. Quem não se lembra da paranóia das mensagens subliminares dos desenhos animados da Disney? O que dizer da unção do “dente de ouro”? E a unção do riso, dos animais e do vômito? Não posso deixar de mencionar o caso dos adeptos do movimento de batalha espiritual que “urinavam” em lugares estratégicos para inibir a ação do inimigo. Isso acontece porque a nossa Igreja Brasileira não dá muito valor às Escrituras. A experiência sempre fala mais alto.

E você, caro leitor? Qual a sua postura diante do discurso do Rei? Você tem o hábito de meditar na Palavra de Deus? Você aplica as Escrituras ao seu dia-a-dia, no seu trabalho e nos seus relacionamentos? A Bíblia para você é um óculos ou apenas um amuleto? Um antivírus ou um download na área de trabalho? Você sente o cheiro de heresia de longe, ou sempre é enganado? Para sermos crentes maduros e vencermos os nossos verdadeiros inimigos, temos que ouvir atentamente o discurso do Rei. Não o rei gago da Inglaterra, mas a voz poderosa do Rei dos reis, do Senhor dos senhores que está registrada das Escrituras.

Soli Deo Gloria.
Presb. Davy Jones

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