terça-feira, 26 de julho de 2011

Cara de santo

Judas Iscariotes dispunha dos mais elevados privilégios possíveis. Foi escolhido para ser apóstolo e companheiro de Cristo. Foi testemunha ocular dos milagres de nosso Senhor e ouvinte de seus sermões. Ele viu aquilo que Moisés e Abraão jamais viram, e ouviu o que Davi e Isaías nunca ouviram. Viveu na companhia dos onze apóstolos. Foi cooperador de Pedro e João. Porém, a despeito de tudo isso, seu coração nunca foi mudado; ele se apegava a um pecado de estimação.

Judas Iscariotes fazia uma respeitável profissão religiosa. Quanto à sua conduta externa tudo era correto, apropriado e coerente. Como os demais apóstolos, ele parecia crer e desistir de tudo por amor a Cristo. Ele também fora enviado para pregar e realizar milagres. Nenhum dos onze parece ter suspeitado que Judas era um hipócrita. Quando nosso Senhor disse: "um dentre vós me trairá", ninguém falou: "Será Judas?" Não obstante, durante todo aquele tempo, seu coração nunca foi mudado.

Deveríamos observar tais coisas. Elas servem para nos humilhar e instruir. Assim como a mulher de Ló, Judas foi posto como um farol para tora a igreja. Que nós pensemos frequentemente a respeito dele, e digamos enquanto meditarmos, "sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração... vê se há em mim algum caminho mau" (Sl 139.23-24). Tomemos a resolução, pela graça de Deus, de nunca nos contentarmos com qualquer coisa menos do que uma conversão completa e genuína do coração.

J. C. Ryle - Meditações no evangelho de Mateus

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