terça-feira, 19 de julho de 2011

A agonia no Getsêmani

Leia Mateus 26.36-46

Por que motivo encontramos nosso Senhor muito entristecido e angustiado, conforme lemos neste trecho? Como deveremos entender suas palavras: "A minha alma está profundamente triste até à morte?" Por que vemos Jesus distanciar-se de seus discípulos e prostrar-se de rosto em terra, a fim de dirigir ao Pai fortes clamores em oração por três vezes? Por que o todo-poderoso Filho de Deus, que fizera tantos milagres, estava agora tão triste e inquieto? Por que Jesus, que veio ao mundo para morrer, agora quase desmaiava ao aproximar-se a morte? Por que todas estas coisas?

Só existe uma única resposta razoável para estas indagações. O peso que estava sobre a alma de nosso Senhor não era o temor da morte e de suas agonias. Milhares de pessoas têm sofrido os mais terríveis sofrimentos físicos e morrido sem emitir um gemido, e, sem dúvida, poderia ter sido assim com nosso Senhor. Mas o peso real, que tanto entristecia o coração de Jesus era o peso do pecado do mundo, que naquele momento parecia estar pesando sobre Ele com força peculiar. Era a carga de nossa culpa que Lhe estava sendo imputada, a qual agora estava sendo lançada sobre Ele, como era posta sobre a cabeça do cordeiro da expiação. Não há coração humano que possa conhecer quão grande era essa carga. Só Deus o sabe. Bem podia falar a litania grega sobre "os sofrimentos desconhecidos de Cristo". E as palavras de Scott sobre esse assunto provavelmente são corretas: "Cristo, naqueles momentos, suportava uma penúria tão intensa (como aquela que sofrem os espíritos condenados) quanto fosse possível suportar sem deixar de ter uma consciência pura, um perfeito amor a Deus e aos homens, e uma segura confiança de uma consumação gloriosa".

J. C. Ryle - Meditações no evangelho de Mateus

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