domingo, 5 de junho de 2011

Firme na aflição

Saindo daquele lugar, Jesus retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher cananéia, natural dali, veio a ele, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito". Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: "Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós". Ele respondeu: "Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel". A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, ajuda-me! " Ele respondeu: "Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos". Disse ela, porém: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos". Jesus respondeu: "Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja". E naquele mesmo instante a sua filha foi curada. Mateus 15.21-28

A aflição às vezes demonstra ser uma benção para a alma de uma pessoa. Aquela mãe cananéia sem dúvida tinha sido severamente provada. Ela via sua filha querida ser afligida por um demônio, sem poder ajudá-la. Mas essa tribulação serviu para conduzi-la a Jesus Cristo e ensiná-la a orar. Não fosse por essa aflição, ela poderia ter vivido e morrido em ignorância despreocupada, sem jamais ter visto a Jesus. Certamente, foi bom para ela o ter sido afligida (Sl 119.71).

Sublinhemos cuidadosamente esta verdade. Nada existe que demonstre tanto a nossa ignorância quando a nossa impaciência na tribulação. Esquecemo-nos de que cada cruz no caminho é uma mensagem de Deus, designada para que, no fim, sejamos beneficiados. As provações são destinadas a nos fazer meditar, a desligar-nos deste mundo, a conduzir-nos à Bíblia, a colocar-nos de joelhos diante de Deus. A saúde é algo bom, mas a enfermidade é muito melhor, se nos aproxima de Deus. A prosperidade é uma grande misericórdia divina; mas a adversidade manifesta maior misericórdia divina, se nos leva até Cristo. Qualquer coisa é melhor do que viver despreocupadamente e morrer em pecado. Mil vezes melhor é sermos afligidos e fugirmos para Cristo, tal como aquela mãe cananéia, do que viver tranqüilamente e por fim morrer sem Cristo e sem esperança, como o "louco" homem rico (Lc 12.20).

J. C. Ryle - Meditações no evangelho de Mateus

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