sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pérolas aos porcos

Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem. Mateus 7.6

É importante se ter descrição quanto à pessoa com quem falamos sobre os assuntos de religião. Tudo é maravilhoso no seu devido tempo e lugar. Nosso zelo deve ser temperado por uma prudente consideração acerca da ocasião, do lugar e das pessoas a quem nos dirigimos. Salomão disse: "Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça" (Pv 9.8). Não é sábio abrir o coração com todo mundo, a respeito das coisas espirituais. Há muitos que por causa de um temperamento violento, ou de hábitos abertamente pervertidos, são totalmente incapazes de dar valor às verdades do evangelho. Podem mesmo explodir de ira e cair em maiores pecados, se você tentar fazer o bem a suas almas. Mencionar o nome de Cristo a tais pessoas é como lançar pérolas aos porcos. Isso não lhe faz bem, e, sim, mal. A tentativa só fará despertar nessas pessoas toda a sua corrupção, e as deixa furiosas. Em suma, eles são como os judeus de Corinto (At 18.6), ou como Nabal, acerca de quem ficou registrado: "ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar" (1 Sm 25.17).

Esta é uma lição particularmente difícil de se usar de maneira adequada. É preciso muita sabedoria para aplica-lá corretamente. A maioria de nós inclina-se muito mais a errar por excesso de cautela do que por excesso de entusiasmo. Geralmente tendemos muito mais por lembrar "o tempo de estar calado" do que "o tempo de falar". Não obstante, esta é uma lição que deveria despertar em nós um espírito de auto-inquirição. Acaso, nós mesmos, às vezes, não desencorajamos os nossos amigos quando eles tentam nos dar bons conselhos, pela nossa morosidade ou irritabilidade de temperamento? Nunca obrigamos outras pessoas a se manterem em silêncio e a nada dizerem, por causa do nosso orgulho ou impaciente desprezo pelos conselhos que recebemos? Será que nunca nos voltamos contra os nossos gentis conselheiros, e os silenciamos pela nossa violência e ira? Infelizmente, com razão podemos temer que nós também temos errado quanto a essa questão!

J. C. Ryle - Meditações no Evangelho de Mateus

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