quarta-feira, 6 de abril de 2011

O cuidado de Deus

Não podemos medir esse cuidado. Deus cuida de nós ainda que não percebamos. Em geral, não nos damos conta de sua preservação, exceto quando temos a visão do perigo. Por exemplo: Deus não simplesmente nos preservou quando o carro derrapou e nada de grave aconteceu. Ele tem também nos guarda quando o carro não derrapa. Ele nos guarda sempre e de forma integral. Nosso pai cuida pessoalmente de nós como se fôssemos o único que ele teria para cuidar. Nossas orações são o testemunho dessa certeza. O Deus que preservou Elias, enviando corvos para lhe levarem alimento (1 Rs 17.1-6), é o nosso Pai onisciente e providente (Sl 16.8; Fp 4.6).

O melhor antídoto contra a ansiedade [a dúvida de se Deus está tomando conta de você] é a oração sincera e confiante, através da qual expomos nossas dúvidas, temores e confiança. O período de adversidade é propício para que abundemos em oração; a oração é educativa na escola da adversidade. Portanto, "a oração é um antídoto para todas as nossas aflições." Quando oramos estamos de fato exercitando nossa fé no cuidado providente de Deus revelando que sabemos que é o nosso Deus".

Na oração revelamos nossa filiação confiante. Orar significa confiar na manutenção cotidiana de Deus: "E devemos confiar que, assim como nosso Pai nos nutriu hoje, Ele não falhará amanhã". A oração, nesse sentido, parte da certeza de que é Deus quem nos provê o sustento através de nosso trabalho. A oração não exclui o trabalho, antes o pressupõe. Orar pressupõe obediência.

Um incentivo à oração é a compreensão de que as bênçãos recebidas de Deus estão relacionadas às orações. No entanto, não devemos nos precipitar. A aparente demora de Deus em nos atender visa a nos estimular à prática perseverante da oração. Por isso, "Todo crente deve ter o desejo forvoroso de contar com Deus em cada momento de sua vida".

Nas Escrituras, há constante demonstração do Poder de Deus. Isto tem um aspecto pedagógico: para que aprendamos a confiar no Deus soberano. Calvino observa:

... em virtude de nosso coração incrédulo, o mínimo perigo que ocorre no mundo influi mais em nós do que o poder de Deus. Trememos ante a mais leve tribulação, pois olvidamos ou nutrimos conceitos mui pobres da onipotência divina.

O poder de Deus é algo concreto e real na vida diária, no sustento e na preservação. Essa compreensão de fé deve guiar a perspectiva da realidade e, consequentemente, nossa atuação no mundo. Deus tem o controle preciso de todas as coisas: "... para que Ele, por fim, realize no devido tempo o que determinara". Deus se agrada quando seu povo, firmado na sua promessa, ora confiantemente certo de seu cuidado (Sl 55.22; 1 Pe 5.7).

Herminsten Maia - Fundamentos da teologia reformada

* imagem 1 retirada de: http://apontoeopino.blogspot.com/2010/10/teologia-do-nene.html
* imagem 2 retirada de: http://desconstruindoareligiao.blogspot.com/2009/11/o-que-e-oracao.html

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