quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não Confunda Conhecimento e Sucesso com Maturidade




 A fé, não é um mundo de ideias que precisam ser dominadas.

Eu não somente cedi à tentação de permitir que o ministério pastoral se tornasse a minha identidade, mas também cai em duas outras tentações.

Deixei a proficiência bíblica e o conhecimento teológico definirem minha maturidade. No ministério, é muito fácil admitir uma redefinição sutil, mas importante, do que é e do que faz a maturidade espiritual. Essa definição tem suas raízes no que pensamos sobre o que é o pecado e o que ele faz. Muitos pastores têm a falsa definição de maturidade que resulta da aculturação acadêmica do seminário.

O seminário tende a academizar a fé, torná-la um mundo de ideias que precisam ser dominadas, por isso os alunos aceitam facilmente a crença de que maturidade bíblica se refere à precisão de conhecimento teológico e à proficiência bíblica. Todavia, maturidade espiritual não é algo que você faz como sua mente (embora isso seja um elemento importante). Maturidade diz respeito ao modo como vivemos. É possível ser teologicamente perspicaz e imaturo. É possível conhecer muito bem a Bíblia e ser necessitado de crescimento espiritual significativo.

Graduei-me com honras no seminário. Ganhei prêmios acadêmicos. Eu imaginava que era maduro e sentia-me mal compreendido e mal interpretado por todos que não compartilhavam de meu discernimento. De fato, vi aqueles momentos de confrontação como perseguição que um indivíduo enfrenta quando se dedica ao ministério do evangelho. Em essência, eu entendia de modo errado o pecado e a graça. O pecado não é, em primeira instância, um problema intelectual. O pecado é, primeiramente, um problema moral. É minha rebelião contra Deus, minha busca para ter, para mim mesmo, a glória de Deus. O pecado não é, principalmente, uma quebra de um conjunto abstrato de regras. É, ante de tudo, a quebra do relacionamento com Deus. Visto que eu quebrei este relacionamento, é natural e fácil que eu me rebele contra Deus.

Portanto, não é apenas a minha mente que precisa ser renovada pelo ensino bíblico correto, meu coração também precisa ser resgatado pela poderosa graça do Senhor Jesus Cristo. O resgate de meu coração é tanto um evento (justificação) como um processo (santificação). O seminário não resolve o meu problema mais profundo – o pecado. Pode contribuir para a solução, mas pode também cegar-me para a verdadeira condição por sua tendência de redefinir maturidade. Maturidade bíblica nunca diz respeito ao que sabemos, mas sempre ao modo como a graça emprega o que chegamos a saber para transformar a nossa maneira de viver.

Pense em Adão e Eva. Eles não desobedeceram a Deus porque eram intelectualmente ignorantes dos mandamentos de Deus. Ultrapassaram conscientemente os limites estabelecidos por Deus, porque buscaram a posição de Deus. A guerra espiritual do Éden foi travada no campo dos desejos do coração. Considere Davi. Ele não tomou Bate-Sabe para si e planejou livrar-se de seu marido porque ignorava as proibições de Deus contra adultério e assassinato. Agiu porque, em algum momento, não se importou com o que Deus queria. Davi teria o que seu coração desejava, não importando o custo.

Ou pense o que significa ser sábio. Há enorme diferença entre conhecimento e sabedoria. Conhecimento é um entendimento exato da verdade. Sabedoria é entender e viver à luz de como a verdade se aplica às situações e aos relacionamentos de nossa vida diária. Conhecimento é o exercício de nosso cérebro. Sabedoria é o compromisso de nosso coração que leva à transformação da vida.

Embora eu não o soubesse, entrei no ministério pastoral com uma ideia não bíblica sobre maturidade bíblica. De uma maneira que agora me assusta, eu pensava que minha posição era certa. Por isso, quando minha esposa, Luella, me confrontava com amor e fidelidade, o fato é que eu não estava apenas sendo defensivo. E me convenci de que ela tinha um problema. Costumava usar meu conhecimento bíblico e teológico para defender a mim mesmo. Eu era um desastre e não tinha ideia disso.

Sucesso não é necessariamente uma aprovação

Confundi sucesso no ministério com aprovação de Deus quanto ao meu viver. O ministério pastoral era estimulante, em muitas maneiras. A igreja estava crescendo numericamente, e as pessoas pareciam crescer em sua vida espiritual. Pareciam cada vez mais comprometidas em ser parte de uma comunidade espiritual vibrante. E vimos pessoas vencerem batalhas do coração com a graça de Deus. Fundamos uma escola cristã que estava crescendo e expandindo sua reputação e influência.

Nem tudo era tranquilidade. Houve momentos dolorosos e árduos, mas eu começava meus dias com o senso de que Deus me chamara para cumprir este ministério. Estava liderando uma comunidade de fé, e Deus estava abençoando nossos esforços. Mas usei essas bênçãos da maneira errada. Sem saber que eu o estava fazendo, tomei a fidelidade de Deus para mim, para seu povo, para a obra de seu reino, para seu plano de redenção e para sua igreja como uma aprovação de mim mesmo. Minha perspectiva dizia: "Eu sou um dos caras bons, e Deus está por trás de mim em tudo isso". De fato, eu diria para Luella (isto é embaraçador, mas preciso admitir): se eu fosse um cara tão mau, por que Deus estaria abençoando tudo em que ponho as mãos?

Deus não estava agindo porque aprovava minha maneira de viver, e sim por causa de seu zelo por sua própria glória e sua fidelidade às promessas de graça para seu povo. Deus tem autoridade e poder para usar qualquer instrumento que ele escolhe, da maneira que escolhe. O sucesso no ministério é sempre mais uma afirmação sobre Deus do que uma afirmação sobre as pessoas que ele usa para cumprir seus propósitos. Entendi tudo errado. Tomei daquilo que eu não podia fazer o crédito que eu não merecia. Fiz tudo girar em torno de mim; por isso, não me via como alguém destinado ao desastre e em profunda necessidade do regate da graça de Deus. Eu era um homem que necessitava de graça resgatadora. Por meio da fidelidade de Luella e das perguntas perscrutadoras de meu irmão, Tedd, Deus fez exatamente isso.

E quanto a você? Como você vê a si mesmo? O que diz com regularidade a respeito de si mesmo? É diferente daqueles aos quais você ministra? Vê a si mesmo como um ministro da graça necessitado da graça? Está acomodado com as desconexões entre o evangelho que você prega e a sua maneira de viver? Há desarmonias entre seu ministério público e os detalhes de sua vida particular? Você encoraja em sua igreja um nível de comunidade ao qual você mesmo não se dedica? Não crer que alguém possa ter uma visão mais exata a seu respeito do que você mesmo? Usa o conhecimento ou a experiência para manter-se longe de confrontação?

Não tenha medo do que você é em seu coração. Não precisa temer ser conhecido; porque não existe nada em você que poderia ser exposto que já não foi coberto pelo precioso sangue de seu Salvador e Rei, Jesus.


Paul Tripp

Fonte: http://www.teorlogico.com/2012/06/nao-confunda-conhecimento-e-sucesso-com.html

sábado, 26 de maio de 2012

Carta sobre o destino de quem não ouviu o Evangelho


Querida Sarah,

Você perguntou o que acontece com as pessoas que vivem distantes do evangelho, nunca ouviram sobre Jesus e morrem sem crer nele.
Aqui está o que eu acho que a Bíblia ensina.
Deus sempre pune as pessoas por conta do que elas sabem e deixam de acreditar. Em outras palavras, ninguém será condenado por não crer em Jesus se nunca ouviram sobre Jesus.
Isso significa que as pessoas serão salvas e vão para o céu se nunca ouviram sobre Jesus? Não, não é isso que Deus nos diz na Bíblia.
A passagem principal da Bíblia sobre esse assunto é Romanos 1.18-23. Aqui está o que ela diz, então farei um ou outro comentário.
Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.
Note algumas coisas:
Todas as pessoas “conhecem Deus”, mesmo se nunca ouviram sobre a Bíblia. “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles” (v. 19). “porque, tendo conhecido a Deus…” (v. 21).
A forma pela qual elas conhecem a Deus é pela forma que Deus fez o mundo e suas próprias consciências (19-20).
Mesmo que elas conheçam Deus, ninguém que conheceu Deus em qualquer lugar do mundo “o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças” (v. 21). Pelo contrário, eles “suprimem a verdade” (v. 18). Isso é, eles resistem à verdade no fundo de seus corações e a “trocaram” por outras coisas que mais lhes agradam (v. 23).
Assim, “são indesculpáveis” (v. 20). Isso é, são culpados e merecem ser castigados.
Então, não creio que a Bíblia ensine que as pessoas possam ser salvas sem ouvirem o evangelho. Veja o que Paulo diz em Romanos 10.13-17. Você precisa ouvir o evangelho para ser salvo:
Porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!” No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu em nossa mensagem?” Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.
Oremos então pelos missionários, e perguntemos a Deus se não deveríamos ser um também. O mundo realmente precisa de mais pessoas dizendo a todos os perdidos sobre Jesus e sobre as maravilhosas boas novas de que Ele morreu pelos pecadores para que, quem crer nele, seja salvo.
Obrigado pela sua pergunta.
Continue orando e lendo sua Bíblia. Deus há de multiplicar seu conhecimento.

John Piper

Fonte: http://iprodigo.com/traducoes/carta-sobre-o-destino-de-quem-nao-ouviu-o-evangelho.html

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A importância do Novo Nascimento


                Porque, de conformidade com as Escrituras Sagradas, depois da queda de Adão e de Eva, nossos representantes federais diante de Deus no Pacto das Obras, todos nós morremos espiritualmente e, ato contínuo, adquirimos uma natureza corrupta e inteiramente contrária à santidade do Senhor. A essa congênita corrupção de todas as dimensões constitutivas do ser humano: mente/afetos/vontade, a Teologia Reformada, com sobrante chancela bíblica, chama de Depravação Total. Isso não quer dizer que todos os homens são igualmente depravados, no sentido de que são completamente destituídos de qualquer dique moral, ou de que todos eles, de modo similar, cometem as mesmas torpezas, mas sim que todos estão, sem exceção e sem distinção, amplamente incapacitados para obedecerem a Deus e se conformarem ao elevado padrão estabelecido por sua santa lei. De acordo com o teólogo conservador J. Dwight Pentecost, a doutrina da Depravação Total não significa que todos os homens são os piores possíveis, mas sim que estão todos na pior situação possível diante de Deus. Porque, sem o novo nascimento, nós estamos plenamente inabilitados para contemplar o reino de Deus e, também, para ingressar nele com a nossa capacidade e supostos méritos. Porque, sem o novo nascimento, nós não passamos de pecadores perdidos e, de igual modo, inteiramente expostos ao justo juízo de Deus. Porque, sem o novo nascimento, o que nos espera na eternidade é o completo banimento da presença daquele que nos criou à sua imagem e semelhança, para o louvor da sua majestosa glória.
                O novo nascimento é um milagre poderoso operado pelo Espírito Santo, por meio da pregação fiel e eficaz do evangelho da graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Quando alguém realmente experimenta a graça do novo nascimento, torna-se, como preconizou o apostolo Paulo em sua Segunda Epístola aos Coríntios, “uma nova criatura. As coisas velhas passam. Tudo se faz novo”. O amor de Deus brota no coração. Há fome e sede da Palavra do Senhor. Há crescimento em santificação. Há um refinamento do caráter manifestado pelo florescimento visível do fruto do Espírito Santo. Há um anelo pela proclamação urgente da Palavra de Deus. Há um inquebrantável compromisso com Jesus Cristo, recebido não somente como Salvador, mas, sobretudo, como Senhor. Como bem pontua o renomado teólogo e pregador D. Martyn Lloyd-Jones, no novo nascimento, Deus produz em nossa alma uma nova disposição de vida, repassada por valores completamente transformados e santos. Novo nascimento não é uma reforma moral, mas uma vivificação radical da natureza humana. Não é um aperfeiçoamento do velho homem, mas a criação de um ser inteiramente novo. É uma verdadeira ressurreição espiritual.
                Em suma: já nascemos verdadeiramente de novo? Você já nasceu de novo, caro leitor desta mensagem? Já existem evidências claras dessa obra sobrenatural em sua vida? Sim? Não? Pense seriamente sobre isso, pois essa é uma questão de vida e morte, que tem implicações para toda a eternidade. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.
                                                               PRESB. JOSÉ MÁRIO DA SILVA